Review/Opinião

Review/Opinião

“Sensibilidade, leveza e nostalgia” Rosana Ritta, jornalista, editora-executiva do Jornal ND

Jessie Lodi

Colunista de Cinema do Acontecendo Aqui e Podcaster no CineGirls

O filme retrata a cultura da região e mostra atuações belíssimas, transformando um tema polêmico em algo fácil de ser entendido.

Marcos Cardoso

Jornalista do Jornal ND

Ambientada em 1965, no interior de Santa Catarina, a história contada no filme “Macumba: Folclore de Família” remete a um aspecto interessante da religiosidade presente em todo o país, de tempos ainda mais remotos até hoje.

    Na obra da diretora Aline Andrade, a superstição e a fé orbitam o lar da menina Elisabeth (personagem da talentosa Zoê França Danielewicz), que vive com os pais em uma casa modesta.

    Betinha completa 12 anos em meio a um atrito familiar no qual se recorre a práticas de religiões distintas – paralelamente e muitas vezes às escondidas –, ora como solução, ora como causa de problemas. Se a prece ao santo católico não basta, evoca-se o orixá, e vice-versa. Uma crença suplanta a outra, ou se complementam, ou se sincretizam para além do que já são.

    E tudo soa natural para a pequena protagonista, pois o ato de acender uma vela ao lado da garrafa de água benta, e outra junto à de cachaça, por mais conflitante que seja, é secular no Brasil. Tão comum que Betinha se comunica com duas entidades que são uma só: Santa Bárbara e Iansã, sua equivalente na Umbanda, impositora de uma missão que transformará a vida daquela família.    Filmado em 2023, o curta-metragem prende o espectador com fotografia e design de som propostos num roteiro instigante, que mantém suspense e curiosidade ao longo dos quase 15 minutos. Afinal, estamos lidando com o desconhecido.

Anselmo Prada

Jornalista e Colunista do Portal Making of

O filme é muito importante no momento em que vivemos tempos de intolerância religiosa de toda ordem e as crenças de matrizes africanas, principalmente, tem sido vítimas de muita violência.

A visão cinematográfica em forma de lenda e folclore ajuda a compreender a necessidade de diálogo entre os diferentes modos de fé e que a família é o principal instrumento de transformação,  para  quebrar mitos  e criar respeito aos diferentes rituais. 

O roteiro  é bem conduzido pela direção,  produção bem cuidada para nos colocar num certo clima de suspense, amparado pela  sonorização de efeitos de som  e luz. É uma obra baseada na realidade sobre o tema proposto, que além do folclore de família,  representa uma temática da sociedade que precisa ser compreendida em todas as suas possibilidades   e interpretações. É muito bom ver a produção audiovisual dedicada a mergulhar num tema sempre delicado e que exige sensibilidade para ser trabalhado.

Déia Sell

Colunista do Portal da Ilha– Florianópolis/SC

O filme retrata a vida real com sensibilidade. A abordagem religiosa apresentada exprime o que está escrito em João 14:2, “Há muitas moradas na casa de meu Pai…”, uma vez que a filha do casal revelou a clarividência comunicando-se com o espiritual, tanto dos orixás, quanto dos santos da igreja católica. Gostei muito dessa temática e parabenizo toda a equipe.

Jailson Sá

Editor-Chefe do Portal Acontecendo Aqui

Macumba” é uma obra tipicamente brasileira. Mostra o ambiente de uma família simples e suas  crenças e temores, onde cada um procura alento nos lugares em que sejam os de sua credulidade. Produção  bem cuidada, com iluminação correta, direção de arte e fotografia que valorizam a história. A sonoplastia realizada nas cenas que mostram o  terreiro de Umbanda é notável pela qualidade e dá realismo às cenas. A mensagem central na diversidade religiosa foi feita com leveza e harmonia.

Rosana Ritta

Jornalista, Editora Executiva do Jornal ND

Assisti a “Macumba: Folclore de Família” assim, às escuras, sem pesquisar sobre a produção, justamente para poder fazer uma análise mais despretensiosa. E fiquei muito surpresa. Em primeiro lugar, o que mais me sensibilizou é que me remeteu aos anos de infância e adolescência que vivenciei em uma família de crenças variadas e bem ecléticas. 

E os detalhes cenográficos bastante fiéis à época são notáveis, embora eu considere que o marrom do fogão e eletrodomésticos seja mais anos 1980. E aqui faço um parêntese, um fogãozinho marrom muito semelhante àquele foi o primeiro item que comprei quando achei que estava na hora de pensar no futuro e em ter um cantinho, lá em 1985. Então, me apaixonei.

E aí vamos para o filtro de barro e as louças de triguinho!!! Nossa, quanta saudade. Quem não tem uma avó que ainda guarda alguma peça no fundo do armário? Eu sou vovó e guardo!!!!! Outro parêntese: há uns 10 anos, visitei uma amiga que estava de mudança e havia descartado umas louças estilo Colorex e com aquela estampa de triguinho, e nem pensei duas vezes em resgatá-las, e estão lá guardadinhas.

Então, neste cenário, a menina com um uniforme escolar semelhante ao que eu usava e passando o pano no chão como a mãe fazia eu passar, me remeteram a esta época em que o futuro era uma tela em branco. E a surra de cinta também…. no meu caso não do pai, mas da mãe… Isso nada saudoso, obviamente. 

E temos o enredo. Inicialmente, achei curiosas as legendas em inglês, mas logo entendi que isso antecipa o alcance que a produção pode obter. Quando se fala em macumba, a percepção geral é sempre de algo negativo, e me surpreendi com um desfecho tão leve. Todo mundo tem uma história sobre, para o bem e para o mal. Aprendi que não se pisava em um trabalho na esquina. Minha avó contava de um parente que havia pisado e ficado torto, paralisado, algo assim… sempre um mistério.

Mas a forma como a abordagem e o respeito às vertentes religiosas foram tratados também são de grande sensibilidade e abertura. O ecletismo religioso faz parte da nossa história e a obra aborda este conceito de uma forma muito direta, simples e palpável. E o fato de a obra ter sido produzida em território catarinense só me enche de orgulho, eu, uma gaúcha metade catarinense. 

Só depois de assistir é que fui pesquisar sobre a Aline Andrade e entendi sua opção e descobri que ela é catarinense e que esta é uma história familiar, das raízes que embora ela esteja há duas décadas afastada do seu país, não esqueceu e está valorizando. Também valorizando o elenco e as locações. Obrigada por esta oportunidade e muito sucesso!!!!!!! Virei fã e vou assistir às demais produções de sua autoria. 


Recado da diretora Aline Andrade

Estou honrada pela oportunidade de compartilhar essa história com tantas mentes brilhantes. Agradeço imensamente pelas palavras de força e motivação que recebi aqui. Obrigada pelo apoio e carinho!